
Encerrado o processo eleitoral, definido o resultado, o momento, agora, é de olhar para frente. Tanto o Governo quanto a oposição têm um objetivo comum: o projeto Brasil. Não adianta, agora, buscarem reminiscências na campanha, retornando a discussão ao palanque - como um terceiro turno -, pois não é isso que o eleitor quer. O recado nas urnas foi emblemático quando ele disse, com todas as letras, que não aceita tutela dos chamados caciques políticos, votando de acordo com sua consciência e até mesmo suas conveniências. Como dono do voto.
Os mineiros foram claro ao explicitar sua rejeição ao guizo. Mostraram no primeiro turno, quando o presidente Lula exigiu votos para Dilma Rousseff e Hélio Costa, e também, já na segunda rodada eleitoral, com Aécio Neves, já eleito senador, cobrando uma virada de Serra. Ambos tiveram a resposta de que não é bem assim que a banda toca, a despeito de suas respeitabilidades e capacidade de mobilização. Nem Hélio venceu e nem Serra virou no segundo turno.
A vitória de Dilma Rousseff dá margem para toda sorte de interpretação, mas, entre causas e efeitos, a melhor opção é avaliar o futuro e os desafios à frente. São muitos, mas o país já provou sua capacidade de enfrentar crises e superá-las. O que se espera da primeira mulher presidente é capacidade de ir adiante num cenário internacional de incertezas. Além disso, é hora de superar dificuldades internas, muitas delas herdadas da atual e de outras administrações, como reformas nas instâncias políticas e tributárias.
Mas não basta colocar no ombro da presidente toda a responsabilidade, pois, num país presidencialista e de Governo de coalizão, ela se divide com o Congresso. Os partidos terão papel fundamental na avaliação das questões nacionais, sobretudo de saírem do varejo de cargos e interesses de grupos. Nos últimos anos, o Parlamento foi pautado pelo Executivo e, como agora virou moda, também ficou menor diante do eleitor, pois não discutiu ou deixou para última hora a votação de temas fundamentais. Pode se redimir.

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