
Já sem o guizo da campanha, que obriga os partidos a caminharem sob a mesma bandeira e com um só discurso, o que já se vê em Brasília é uma briga fratricida por cargos do primeiro escalão. Os presidentes do PMDB, Michel Temer, e do PT, José Eduardo Dutra, têm feito esforços para manter a fleuma, mas sabem que nos bastidores o fogo amigo ocorre por todos os lados. Além disso, as duas principais legendas da base da presidente eleita Dilma Rousseff se digladiam para ver como ficarão as presidência da Câmara e do Senado. Por enquanto, o consenso é do revezamento, mas brigam para saber quem vai mandar primeiro.
Não há novidade nesse cenário de intrigas e seduções, mas não se esperava que a discussão começasse tão cedo. Esse tipo de postura, se não houver uma ação preventiva da presidente, corre o risco de se transformar numa dor de cabeça permanente em sua base, a ser potencializada principalmente em votações importantes. Além dos dois protagonistas, os demais partidos da base não querem abrir mão dos postos conquistados ainda na gestão do presidente Lula, preferindo deixar tudo como está. PSB e PDT, no entanto, querem mais espaço.
Em sistemas presidenciais, mas sob o viés da coalizão, a composição da base do Governo é sempre um problema, obrigando o mandatário a fazer todo tipo de aliança, algumas espúrias, para manter a maioria. Foi assim sob o signo tucano e conservado na gestão petista. E vai continuar até que sejam feitas mudanças profundas por meio de uma reforma política.
É preciso retomar a discussão, entre outros temas, da cláusula de barreiras, que seria um filtro contra as chamadas legendas de aluguel. Elas se notabilizam nas campanhas, quando vendem seu apoio para quem fizer a melhor proposta e acabam ocupando espaço na estrutura de poder sem qualquer comprometimento ideológico. Sem ela, os presidentes têm cedido às pressões, mesmo sabendo que alguns aliados até lhes comprometem a biografia.

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