
Podem ser fatos casuais, mas a semana termina sob o signo do confronto entre líderes e liderados do processo político, com trocas de acusações que passam longe dos temas próprios de campanha. De um lado, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, diz que o candidato José Serra terá um fim melancólico, com chances de perder a eleição no primeiro turno. Nada demais, por se tratar de um comentário, não fosse o adendo: “ele descambou para a direita raivosa”. Do outro, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, dizendo que o autor das afirmações não merecia crédito.
É certo que em cena está uma discussão ideológica, mas, no fundo, ela serve apenas como argumento para os dois lados fugirem de questões centrais. O fato de a política externa ganhar ênfase no discurso, sobretudo da oposição, aponta que se trata de uma estratégia de desconstrução do adversário, mas aonde entra o interesse coletivo? Salvo ações pontuais, sobretudo quando questionados, os candidatos pouco abordam questões centrais como a economia, saúde, segurança e educação.
Esse tipo de postura não chega, sequer, a ser inédito, pois está claro, há tempos, que a desmitificação do oponente passou a ser a ação preferencial dos marketeiros, mesmo sabendo que a maioria da população passa distante desse tipo de assunto. O eleitor, em vez disso, prefere olhar para o futuro, preocupado com as suas contas e como ficará sua vida após a mudança de presidente.
Como, depois de oito anos, haverá um novo inquilino no Planalto, o novo cenário causa preocupações, principalmente quando sai de cena - sairá mesmo? - um político com popularidade tão alta. Seja Serra, Dilma ou Marina, para ficar nos mais cotados, haverá sempre uma cobrança para a manutenção do ciclo virtuoso que ora encanta os economistas e coloca a classe média no centro das discussões.

Nenhum comentário:
Postar um comentário