quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pessima imagem

O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, tem razão quando questiona as ações do Governo, consideradas tímidas quando tratam do combate ao tráfico de drogas. Segundo ele, a movimentação de armamento ocorre impune, sugerindo até o uso das Forças Armadas sobre as quadrilhas. Para o ministro, não se trata de uma luta exclusiva dos estados. Ele citou o armamento que chega aos traficantes sem qualquer controle nas fronteiras.

Mas o Supremo também poderia fazer sua parte discutindo com mais rigor uma liminar que concedeu recentemente, na qual tornou ineficaz lei aprovada pelo Congresso considerando o porte de arma ilegal inafiançável. Com isso, quem for pego com um revólver ou uma metralhadora antiaérea terá o mesmo tratamento: paga a fiança e vai embora para casa.

Os acontecimentos do Rio de Janeiro, que ocupam, inclusive, o noticiário internacional, já que a cidade vai abrigar os Jogos Olímpicos de 2016, são parte de um grande problema que não começou ontem. Há algum tempo, o tráfico de drogas vem ampliando suas ações sob o olhar complacente das autoridades e da própria sociedade, chegando, agora, a um status preocupante. A pura repressão tornou-se insuficiente, devendo ganhar novos componentes para ser enfrentado.

A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 servirão de âncora para novas ações de Governo, sobretudo agora quando há uma indignação coletiva. O próprio presidente da República disse que é preciso limpar a sujeira. “Há tantas coisas boas no Brasil, tanto trabalhador honesto, e meia dúzia de pessoas cria uma imagem negativa e causa vítimas inocentes”, enfatizou. Resta saber, agora, se os discursos vão se reproduzir em fatos.

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