domingo, 18 de outubro de 2009

Jogo só tá começando

O ideal de fazer do próximo pleito um evento plebiscitário - “seremos nós contra eles, pão, pão, queijo, queijo -, como quer o presidente Lula, tem levado o Governo a antecipar a campanha eleitoral, embora os prazos legais não façam tal concessão. As críticas são rasas e a Justiça Eleitoral não se manifesta. Mas é justo lembrar que a comitiva do presidente da República não é a única a cortar o país em busca do eleitor. A oposição, bem mais discreta, é fato, também se articula no proselitismo eleitoral. Os governadores Aécio Neves e José Serra, que disputarão a indicação dentro do PSDB, também fizeram investidas no Nordeste - a noiva da vez - para mostrar que estarão no páreo em 2010.

Tais manobras podem até fazer parte do processo político, mas é necessário avaliar que dois pontos básicos estão ficando para trás: a restrição legal, que não está sendo levada em conta, e a própria administração, uma vez que a maioria das atitudes do presidente e dos governadores tem o viés eleitoral, seja ela factível ou não. E aí não há quem ganhe, pois os projetos anunciados correm o risco de ficarem no papel, ou serem executados até o fechamento das urnas. O país é pródigo em obras inacabadas, muitas delas fruto desse estilo de ter início sem previsão do fim.

É necessário, pois, que se mude a lei, já que, como está posta, ela funciona apenas como uma referência, sem o poder coercitivo que deve marcar as normas. A popularidade do presidente da República, comprovada dentro e fora do país, não pode servir de álibi para se burlar as regras, sob o risco de desmoralização do próprio Congresso, que as produziu, e do Judiciário, que não as faz cumprir. O mês de outubro é emblemático por se situar exatamente no limite de um ano antes das eleições majoritárias, por isso deve servir de alerta para o que virá pela frente. O jogo está apenas começando.

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