
Os candidatos a uma vaga nas câmaras municipais devem trabalhar para desmitificar um sentimento das ruas, de que a maioria dos interessados em ser vereador não tem o menor comprometimento com as causas populares, e sim com o elevado salário, além de outras vantagens. Trata-se de um sentimento grave, pois questiona frontalmente a representatividade concedida aos políticos por meio do voto.
O eleitor trabalha com esse sentimento em razão de uma série de mazelas da vida pública, na qual o interesse próprio tem sido uma constante, ressalvadas as exceções. Exemplos existem às pencas. Na campanha eleitoral, já em curso, os políticos terão que pautar suas ações em cima de metas e demonstrar que conhecem o papel que um vereador desempenha na vida do município.
Esse aspecto é importante, pois, em tempos de campanha, são comuns as promessas fora de sentido, como se o representante do povo na Câmara fosse um faz tudo, embora sua principal prerrogativa seja legislar. Há os que apontam para soluções fora de contexto, sem qualquer chance de execução, mas capazes de conquistar o voto do eleitor desatento. O horário eleitoral, que só começa em 19 de agosto, é a prova material desse tipo de postura.
O salário de vereador é, de fato, atraente, pois são raros os casos de vencimento de tal porte no setor produtivo, mas não pode ser referência para quem ingressa na vida pública.
O papel da representatividade deve ser considerado uma missão de falar pelo povo e em seu nome fiscalizar os atos do Executivo. O tempo, no entanto, tem provado que na prática não é bem assim. Em várias regiões, são criadas verdadeiras confrarias em proveito de alguns poucos que consideram o mandato apenas uma ferramenta para se beneficiar.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista (MT 2502/1975)






