
Números da própria FAO, braço da ONU para a agricultura e alimentação, apontam que 832 milhões de pessoas passam fome no mundo, o que significa quase um sexto da população do planeta. Mas nem por isso a reunião da “Cúpula da Fome”, realizada em Roma, na Itália, apresentou o resultado esperado, que era de investimentos maciços no combate à pobreza. Os 40 líderes, entre eles o presidente Lula, não conseguiram, sequer, produzir um documento que advertisse para o tamanho do problema e para suas implicações não só nos países emergentes mas também para o Primeiro Mundo.
Hoje, especialmente na Europa, os dirigentes estão às voltas com o aumento do fluxo migratório. Adotam políticas discriminatórias e enfrentam, por outro lado, a reação dos nativos que denunciam a concorrência da mão-de-obra mais barata. Está claro, no entanto, que essa movimentação populacional não é fruto do acaso. Boa parte é resultado da fuga da pobreza. Milhões de pessoas deixam seus países de origem para ter o direito a uma vida melhor, mesmo que signifique morar na periferia das metrópoles, formando guetos urbanos.
A melhor alternativa é estabelecer políticas de contenção, mas não nas cidades, o que gera conflitos intermináveis, mas na origem do problema. Ela se manifestaria, em vez do cassetete, pelo prato de comida ou por condições de ter acesso a ele. Se o primeiro mundo voltasse seu olhar para os países pobres, implantando políticas sociais que garantissem a dignidade de seus povos, certamente não haveria essa corrida da salvação que move essas pessoas. No entanto, ainda não foi desta vez que alguma atitude foi tomada. Novos dias de intolerância estão a caminho.
Os países ricos continuam com uma postura cega para as demandas do planeta. Foi assim também na questão ambiental, quando tratados como o de Kyoto, por exemplo, foram rejeitados por gigantes como os Estados Unidos, que se recusaram a conter suas emissões de gases. Agora, quando a situação é crítica, fazem fóruns de emergência na tentativa de salvar o planeta. Tudo, certamente, estaria diferente se não houvesse tanta intransigência nas primeiras discussões. Com a fome, ocorre a mesma coisa.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista





