
Sob pressão da opinião pública - a mesma que endossou o projeto ora em tramitação no Congresso -, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, admitiu colocar o projeto da ficha limpa em votação até o dia 7 de abril. Se antes considerava impossível tal possibilidade, agora mudou o discurso, mas não garante a aprovação. Partidos de todos os matizes ideológicos têm se mostrado resistentes ao texto, considerando-o até mesmo inconstitucional, pois não daria direito de defesa.
Trata-se de um argumento de meia perna, pois a Justiça brasileira reserva a todo o cidadão o direito de ampla defesa, sendo a condenação uma decisão resultado de ação e reação, isto é, do contraditório que se estabelece dentro do processo. Há, na verdade, o medo de a matéria servir de motivo para o corte de cabeças, já que muitos dos atuais parlamentares têm um passivo a ser resolvido com a Lei.
O que o Congresso não entende, ou não quer entender, é que o projeto de iniciativa popular não é contra ou a favor dos políticos. Ele é uma demanda da sociedade, que se cansou de tantas mazelas. O mandato, mesmo com a redução das imunidades, ainda tem sido utilizado como escudo para diversas lideranças, uma vez que, no mínimo, ganham foro privilegiado.
É necessário que a matéria seja discutida pelo plenário, a fim de ser votada a tempo de entrar em vigor este ano. Caso contrário, será um contrassenso a Casa aprovar uma matéria que só terá validade para o pleito de 2012, quando em jogo, em vez dos cargos do Parlamento, estarão na mira dos eleitores os candidatos a prefeito e vereador.

Um comentário:
Se eu ainda conheço como funciona a coisa, o Projeto entra na pauta e o presidene da Câmara cumpre sua palavra. Depois, entraves regimentais levam a discussão mais para a frente e aí...
Passaram-se as eleições e o projeto, se aprovado, vigorará para o pleito de 2012, ou seja, atinge candidatos a prefeito e vereador, com a lei somente atingindo os atuais congressistas daque a quatro anos.
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