
A semana que começa será derradeira para os arranjos políticos nos estados em função da desincompatibilização da maioria dos atores que vão aos palanques para outubro. O prazo termina no dia 2 de abril, mas a Semana Santa antecipa as definições e o cenário de disputa, que já ganha outros contornos. A ministra Dilma Rousseff faz de Minas seu território preferencial, e o governador de São Paulo, José Serra, finalmente anunciou que deixa o Governo para tentar a presidência da República. Oficialmente, a campanha eleitoral só deveria começar em junho, mas o jogo já está sendo jogado em todas as instâncias.
Não há novidades nesse comportamento, mas é necessário que a Justiça Eleitoral se atente para qualquer tipo de abuso. Os políticos, na busca de visibilidade, fazem todo tipo de malabarismo, o que vai exigir atenção dos fiscais. No curso da semana passada, o TSE multou o presidente Lula por um ato público, no qual estava acompanhado da ministra, mas, no mesmo dia, paradoxalmente, julgou improcedente pedido semelhante por outro ato realizado em local distinto.
Os mecanismos de fiscalização são precários, e o modo como a Justiça se manifesta ainda inquieta a opinião pública, pois, na maioria das vezes, ela só atua mediante provocação. Trata-se de um contrassenso, uma vez que o ideal seria atuar pelos seus próprios meios, já que os políticos, tanto governistas quanto da oposição, estão em campo como se os prazos de campanha estivessem abertos.
Lamenta-se, porém, não apenas o moto judicial, mas também os discursos que estão sendo elaborados. Todos se centram em obras feitas - e também não feitas -, mas não têm foco nas demandas futuras. O Brasil, apesar de todos os indicadores, não pode colocar o freio na sua rota de crescimento, embora seja necessário saber como os candidatos vão gerenciar essa questão. O simples discurso de vamos fazer é insuficiente, sobretudo pelo tamanho dos desafios que serão enfrentados após o encerramento da era Lula.

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