
Os dados das Nações Unidas divulgados ontem apontando uma queda de até 16% no processo de favelização no Brasil são extremamente positivos, mas nem por isso os governos, tanto na instância federal, quanto na estadual, devem arrefecer suas políticas de inserção. Os mesmos números revelam que a desigualdade ainda é uma demanda a ser corrigida pelo mundo afora, ainda mais pelas indicações de que quatro capitais brasileiras - Belo Horizonte, Goiânia, Fortaleza e até Brasília - estão entre as que registram os piores índices. O Brasil, nesse aspecto, lidera a pesquisa na América Latina.
A desigualdade é uma discussão que não pode sair da agenda, mesmo se sabendo que as formas de medi-la carecem de precisão, já que vale sempre a indagação: desigualdade de quê? Até mesmo no primeiro mundo é possível verificar essa distorção quando se trata, por exemplo, da violência. É possível ter dados mais preocupantes em determinadas regiões dos Estados Unidos do que na Índia. Dentro do Brasil, esse viés também desmitifica impressões, pois o Rio de Janeiro, em termos proporcionais, não lidera as pesquisas. Daí a necessidade de se estabelecer padrões para avaliar a desigualdade.
Mas é certo, porém, que a discussão se prende a indicadores de pobreza, pelos quais a situação, mesmo com todos os avanços dos últimos dez anos, ainda é um drama a ser resolvido. O próximo presidente da República, seja ele oriundo do Governo ou da oposição, não poderá reduzir o ritmo de investimentos, pois se trata de uma ação perene do Estado. Quando 10,4 milhões de brasileiros melhoram suas vidas em uma década, é possível vislumbrar que a proporção, mesmo sendo positiva, pode ser ampliada, garantindo, num período idêntico, tirar bem mais pessoas da linha da pobreza. Elas merecem o investimento.

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