domingo, 21 de fevereiro de 2010

Novos rumos


Uma entrevista do presidente Lula ao jornal “Estado de São Paulo”, publicada na sexta-feira, é emblemática por desmitificar algumas especulações, ao mesmo tempo em que aponta a necessidade de uma profunda discussão sobre o futuro do país. Lula admite que um Governo Dilma pode indicar uma guinada à esquerda, mas considera que o barco não poderá sofrer alteração de rumos em face não só da governabilidade, mas também pela falta de necessidade de mudanças tão drásticas.

Indagado sobre o papel da ministra, que mesmo ganhando uma eleição serviria de guarda para seu retorno em 2014, o presidente rompe com tal tipo de especulação de forma clara: “ninguém aceita ser vaca de presépio”, enfatizando que ela, certamente, seguirá os mesmos passos dos antecessores, fazendo uma gestão voltada para um período de oito anos. Por coincidência, ou por estratégia, a entrevista foi publicada no mesmo dia em que seu partido, o PT, avalia seus rumos. Lula faz considerações importantes, revelando, inclusive, que a legenda de hoje não é a mesma de 1989, quando disputou seu primeiro mandato, nem a de 1994, quando foi derrotado pelo tucano Fernando Henrique.

De fato, os partidos políticos pós-ditadura ganharam uma nova conformidade no Brasil. Como analisam cientistas políticos como André Singer entre outros, a linha programática deu espaço para a linha pragmática. Os novos tempos seguem um cenário internacional em que o viés ideológico perde espaço. Se é bom ou ruim para a democracia, o tempo dirá.

Tais constatações são uma prévia do que pode ocorrer na campanha deste ano e de tantas outras que virão pela frente. Os políticos mudaram sua formatação e já não se prendem a ideias, salvo quando elas convêm à sua situação. Caso contrário, numa linguagem bem popular, dançam de acordo com a música, o que é reflexo do próprio eleitorado, que foi forçado a mudar sua postura, considerando que política é coisa para político. Não é verdade, pois ela deveria ser de interesse coletivo, mas os exemplos do andar de cima induzem a esse lamentável ponto de vista.

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