
Se havia alguma dúvida em torno do início da campanha eleitoral, ela pode ser avaliada a partir deste último fim de semana, quando o ex-presidente Fernando Henrique, em artigo no jornal “O Globo”, criticou o estilo petista de governar, especialmente o presidente Lula, a quem acusou de criar inimigos onde não existe e de se considerar o ponto de partida de todas as realizações do Governo federal, esquecendo deliberadamente os antecessores. Como já era esperado, a ministra Dilma Rousseff disse que a comparação entre as administrações é inevitável, ainda mais por estar convencida de que a atual gestão fez um trabalho bem melhor.
Até aí, nada demais, pois faz parte do processo político estabelecer comparações; o que preocupa, mas também não surpreende, é o processo de desconstrução que se estabeleceu no debate. O presidente Lula insiste na postura de não dar crédito ao passado, enquanto os antecessores insistem em dizer que tudo começou no seu período, quando foram efetuadas as grandes mudanças, tipo privatização e saneamento das dívidas interna e externa do país. Fernando Henrique foi além ao dizer que a candidata do Governo é apenas o reflexo do líder.
É possível admitir que ambos estão certos em defender suas teses, mas é importante estabelecer um olhar voltado para o futuro, pois só assim se pode avaliar o que virá pela frente. Não carece de os líderes dizerem quem foi melhor, pois a maior parte do eleitorado é capaz de fazer essa consideração, mas ninguém sabe, por exemplo, quais são os projetos que deverão ganhar a prioridade dos interessados em dirigir o país a partir de 2011.
Há quem venha dizer que ainda não houve formalização das candidaturas. Ontem, Dilma disse que não é, sequer, pré-candidata, enquanto seu oponente, José Serra, mantém um silêncio estratégico, embora faça campanha dentro de seu estado. Mas se ainda não são candidatos - o que lhes permite não dizer o que farão -, também não faz sentido ficarem trocando farpas sobre o passado.

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