
O senador José Sarney tem que sair do estado de letargia que o acometeu e tomar providências urgentes para sanear a casa que preside. Os jornais apontaram ontem que os atos secretos, boa parte deles dos últimos 14 anos - coincidentemente na gestão do diretor Agaciel Maia -, escondem muito mais do que foi divulgado até agora. O matutino “O Globo” destacou, na edição de ontem, que foram encobertas reformas luxuosas dos apartamentos funcionais, sendo que num deles foram consumidos R$ 100 mil na obra da cozinha, farras na gráfica e cirurgias estéticas. Tudo, na verdade, com dinheiro público.
O silêncio do senador é um recuo. Na verdade, ele até falou. Na semana passada, num discurso curto e sem maiores consequências, disse que tomaria providências, mas não passou daí. Agora, com o aumento do escândalo, está sendo cobrado pelos próprios aliados, já que todos, indistintamente, estão sendo colocados no mesmo saco. Até o chamado grupo ético tem pendências, graças aos favores de Agaciel. Não é de graça que o senador Heráclito Fortes, que está tocando as investigações para frente, disse textualmente que ninguém fica 14 anos num cargo de diretor-geral sem ser Papai Noel.
Os abusos devem ser cobrados individualmente, uma vez que não basta dizer que a crise é da instituição. Ela é, de fato, do Senado, mas também dos senadores, sobretudo dos que andaram abusando do dinheiro público em ações que não fazem parte das prerrogativas do mandato. Como explicar as cirurgias de cunho eminentemente estético? E que cozinha é essa que vale mais do que um apartamento de dois quartos? São abusos dessa natureza que comprometem a imagem do Legislativo, dando combustível para os defensores do atraso, que apostam no recuo institucional sob o argumento de que o Congresso serve apenas para produzir corrupção e dizer amém ao Governo.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista aposentado

Nenhum comentário:
Postar um comentário