
Quando o presidente Lula dizia que a crise mundial iria apenas produzir marolas no Brasil, certamente falava mais para a platéia, a fim de manter a moral da população. Afinal, com todo o arcabouço de informações, mais do que ninguém, ele já sabia que em um mundo globalizado não há oásis econômico. Estão todos no mesmo barco e, por essa razão, devem tomar providências para evitar o pior. É fato que diversas medidas tanto públicas quanto privadas estão sendo implementadas, mas é importante que não haja suposições de que o pior já passou. A despeito do sentimento que sempre marca o fim do ano, é importante ficar atento.
Não se trata, porém, de alarmismo, mas de pé no chão para imunizar o país de frustrações futuras. Houve ocasiões em que se pensava que o que ocorria no exterior não repercutiria abaixo da linha do Equador. Só depois do caos é que se acordava para a realidade. O velho Terceiro Mundo, sobretudo, foi palco de problemas constantes, muitos deles forjados no pólo desenvolvido, que resolvia suas demandas quebrando os menores.
E o Brasil foi uma dessas vítimas. Basta lembrar quando Paul Volcker, então czar da economia americana, aumentou as taxas de juros. Salvou a economia dos EUA, mas fez terra arrasada em outras regiões. Ele, aliás, é um dos principais conselheiros do futuro presidente, Barack Obama, e não se pode descartar que o remédio seja, de novo, amargo.
A sua presença, porém, não significa, de plano, que tudo será como antes, mas como prevenir, até mesmo em economia, sempre foi melhor do que remediar, é vital que não haja surpresas, pois os danos costumam ser maiores. O presidente, é fato, já mudou o discurso e adverte que todos ainda estão dentro do olho do furacão. Melhor assim, pois, sem ilusões, será possível agir com nitidez, na expectativa de que os investimentos ou qualquer outro tipo de atitude devem ser incrementados para se encontrar a luz do fim do túnel.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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