
Há quarenta anos, depois de um dia tenso e de amplas reuniões, o país dava um passo atrás. Daria outros, como em abril de 1977, quando o Congresso foi fechado, criada a figura do senador biônico e o Judiciário pagou a conta. Mas, em 13 de dezembro de 1968, foi implantado o AI-5, que restringiu direitos e deu ao Governo poder de cassar mandatos sem qualquer motivação. Era o início de um ciclo de trevas que só acabaria no final dos anos 70 com a revogação da medida.
Ao curso da semana, diversas matérias tocaram no assunto, algumas delas lembrando - e com razão - que os civis também tiveram grande responsabilidade no Ato Institucional assinado pelo general Arthur da Costa e Silva, mas é preciso olhar para frente. O passado deve servir de aprendizado para as novas gerações, a fim de reforçar, sempre, que o poder da força não condiz com as ações democráticas. O que ocorreu naquele distante 13 de dezembro ainda repercute até hoje, pois a partir daquele momento várias biografias foram comprometidas.
Não há nada a celebrar, mas o olhar para o futuro deve estar escudado em princípios que apontem para conceitos éticos e de justiça que devem marcar especialmente a vida pública. O Brasil tem desafios imensuráveis pela frente e garantir suas instituições é um deles, uma vez que ainda há os que pensam no ciclo da força como saída para enfrentar problemas. Na verdade, é a transparência e a ordem democrática que respaldam o combate aos ilícitos, à corrupção e, sobretudo, à injustiça.
O mundo é outro e o país mudou, mas é sempre necessário lembrar que a democracia se faz no dia-a-dia, com ações éticas, distantes de alguns impasses que ainda marcam a vida nacional, sobretudo no campo ético. Ainda há - e não são poucos - os que fazem da vida pública um instrumento de promoção pessoal, que se envolvem em corrupção por achar que a coisa, por ser pública, não tem dono. Ledo equívoco. A “res publica” indica, exatamente, o contrário: é de todos impessoalmente.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

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