segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Gestos insanos


A maioria das Polícias Militares do país enfrentam um problema sério: o trote. As unidades são deslocadas para atender a chamados inexistentes, enquanto as reais demandas acabam ficando comprometidas. O trote é um gesto de inconseqüentes, que não avaliam o gesto, vendo nele apenas uma brincadeira, aliás, de péssimo gosto. Nas áreas conflagradas de Rio e São Paulo, segundo relato da própria polícia, os bandidos utilizam o falso chamado para deslocar o efetivo para um ponto e agir em outro.


A Polícia Militar, na verdade, é mais uma das instituições públicas vítimas desse flagelo. Os bombeiros e as equipes do Resgate e do Samu também são alvos da falsa ocorrência. É difícil imaginar alguém, em sã consciência, brincar com a vida de terceiros, mas eles são às pencas. No Nordeste, cerca de 80% dos chamados costumam dar em nada, o mesmo ocorrendo na região Oeste do país. A Sudeste, na qual se situam as maiores capitais, também vive a mesma situação.


A legislação é frágil e o trote acaba se configurando como um gesto menor, quando, na verdade, suas conseqüências são imprevisíveis. Ele pode deslocar a equipe para uma ocorrência e uma de menor importância ser abortada, mas há casos de brincadeiras que afastam o poder público de fatos graves. E quem paga por isso? Só a vítima. Ademais, o custo financeiro do trote acaba recaindo nas contas do Governo que, certamente, as repassa para o contribuinte.


Além de medidas punitivas, é vital investir em ações educativas, chamando a atenção para os danos que o trote gera. A Polícia, a despeito dos investimentos recentes, tem sido alvo dessa brincadeira, e não existe autor para cobrar a conta, pois geralmente a ligação é feita de telefone público. Em tais casos, a comunidade também tem papel decisivo, devendo reagir e denunciar esse personagem que, tendo ou não noção de suas ações, continua agindo pelos bairros da cidade.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista (MT 2502 de 1975)

Um comentário:

Anônimo disse...

Certa vez vendo o jornal nacional, vi uma reportagem sobre trotes e iziam que em Recife, os gastos são imensos, e os danos maiores ainda.
Pessoas que realmente precisam de ajuda, ficam sem recebê-la.
O que estes loucos, que passam trote, têm na cabeça, nada só pode.
Somente pessoas vazias são capazes te tamanha maldade.
Beijinhos querido.