quarta-feira, 7 de maio de 2008

O voto de lá pode refletir aqui


Será que as eleições primárias são mais democráticas? O que estamos assistindo nos Estados Unidos entre os dois candidatos Democratas, principalmente pelos ataques contra o senador Barack Obama, é demonstração inábil da política. Lembrei-me ao escrever este artigo da nossa sublegenda. Nas primárias americanas - confusa - está valendo de tudo e a campanha baixou o nível. Problema racial covardemente explorado pela senadora Hillary na Pensilvânia. A tentativa de ligar Obama ao Hamás, sabendo o que pensam os americanos, ao contrário do professor Khaleb Hroub da Universidade de Cambridge. Quem incentiva o ex-pastor Jeremiah Wright a falar as suas maluquices?
O que pensam os candidatos Obama, Mcain e Hillary da política externa para a América do Sul? O Governo Bush acaba de criar a 4ª Frota inclusive com porta-aviões nuclear. Os americanos estão em Aruba, El Salvador, Honduras, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Bolívia, Suriname e Guiana Francesa. Há muito o que se pensar e falar. Vamos aguardar o debate após as convenções dos dois partidos. É importante acompanhar o que está acontecendo nos Estados Unidos. O Congresso Nacional precisa ficar atento, principalmente quando o “Centro de gravidade Global” está se deslocando para o Atlântico. Os candidatos buscam o apoio da América do Sul, como demonstra a foto.
O resultado das eleições nos Estados Unidos podem mexer conosco. Qual será a posição de nosso governo?
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

terça-feira, 6 de maio de 2008

MAIS UMA CHANCE


Houve um tempo em que um bordão marcava as discussões, pois dizia que dar esmola era adiar a revolução. Na verdade, dar esmola nas ruas é induzir ao surgimento de novos moradores de rua, que passam a viver da mendicância, embora estejam em idade produtiva. A Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua aponta para esse viés quando revela que a maioria está nessa situação em virtude de drogas e ou de alcoolismo. Facilitar a aquisição com doações é um recuo nas políticas de remissão desses andarilhos, que vivem em condições subumanas a despeito de programas de atendimento que são desenvolvidos em vários municípios.


Para muitos, dar esmola soa como um desencargo de consciência, quando, na verdade, trata-se de uma postura farisaica, típico de quem acha que está fazendo a sua parte. Trata-se, mesmo com a boa intenção, de um equívoco. Melhor fariam se investissem esses mesmos recursos em entidades que atuam ostensivamente em políticas sociais, muitas delas funcionando sob a orientação de abnegados e enfrentando sérias dificuldades.


A população de rua é um problema crônico das metrópoles, que tende a crescer se o enfrentamento não for ostensivo a partir do Estado. Milhares de pessoas, pelo país afora, vivem nessa condição, ora por conta das condições apontadas pela pesquisa - drogas e alcoolismo -, ora pelas mazelas das grandes cidades, cada vez mais agudas. A falta de oportunidade e as exigências de qualificação cada vez mais intensas produzem desigualdades que acabam se refletindo em várias frentes. A morada nas ruas é uma delas.


É vital recolher esses personagens e estabelecer políticas que lhes garantam mais uma chance, como a formação de cooperativas e associações que por eles falem ou que criem condições para que desenvolvam um mínimo de trabalho, capaz de gerar algum recurso. Sem renda, sem abrigo e com fome, acabam sendo cooptados pelo jogo bruto do mundo do crime, no qual se inserem mais como vítimas do que como atores.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

segunda-feira, 5 de maio de 2008

CIDADES SUSTENTÁVEIS




Este foi o tema de uma das mesas de debates em São Paulo, neste fim de semana. O debate se travou no contexto da conferência Global Greens, reunindo gente de 90 países. Foram debatidas as metropóles e seus problemas, sobretudo as metrópoles do sul do planeta. De um modo geral, as cidades são um pouco ingovernáveis, quando deixamos de lado a perspectiva metropolitana.
No caso do Rio, são pouco mais de seis milhões de habitantes e o dobro disto, se contarmos as 17 cidades da região metrolitana, entre as quais Nova Iguaçu, onde moro. Resolver problemas de saúde sem pensar na metrópole não é fácil. Da mesma maneira, é preciso pensar conjuntamente no transporte, na destinação do lixo etc. Compreendo a dificuldade de governar metrópoles e a necessidade de buscar novos instrumentos.
A delegação sueca, no caso do trânsito, apresentou algumas propostas interessantes, derivadas da visão londrina de fechar o centro da cidade. No caso sueco, há uma taxa para quem usar o carro em certas horas e em certos trechos engarrafados.
Um exemplo que está impressionando é de Calcutá, pois a cidade encontrou sua vocação econômica. Tem 250 empresas de teconologia de informação, gente que vivia fora está voltando para abrir restaurantes e lojas. A pobreza não acabou. Ela continua sendo um elemento decisivo no panorama urbano. No entanto, Calcutá, que é dirigida por comunistas, tem um bom nível de ensino e decidiu achar seu caminho na globalização. Tem chances de atenuar seus problemas sociais, algo que parecia difícil no passado.
Considero importante o governo atentar para os exemplo apresentados e partir para soluções imediatas. Só assim as nossas cidades serão mais sustentáveis.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

domingo, 4 de maio de 2008

DEZ CONTRA UM


O municipio do Rio está vivendo uma situação sui generis em relação à eleição desse ano. São dez os candidatos ao cargo de prefeito. Adversários entre si, mas com um alvo em comum: o prefeito Cesar Maia. Na eleição que marca o fim da era Cesar, a administração municipal está na mira dos principais pré-candidatos à sucessão do prefeito. O isolamento da cidade, a crise na saúde e a desordem urbana comandarão a pauta da campanha, que começa oficialmente em julho.
Um dos principais pré-candidatos é o deputado Fernando Gabeira, do Partido Verde. O PV chegou a participar do governo Cesar Maia quando Alfredo Sirkis, comandou o Instituto Pereira Passos. Sirkis deixou a presidência do Instituto depois de uma polêmica com o prefeito sobre construções irregulares na favela da Rocinha.
Fernando Gabeira, como candidato do PV e do PSDB, diz que vai manter os projetos de Cesar que deram certo. Mas avisa que pretende governar a cidade com mais diálogo: " Terei um estilo mais aberto do que Cesar Maia, mais aberto para conversas. Mas é preciso, porém, aproveitar tudo de bom que ele fez". Criticado por governar a cidade virtualmente, pelo computador, Cesar Maia verá, caso Gabeira seja eleito, um aprimoramento do governo eletrônico.
" Não estou falando de governar a cidade por e-mails. O governo eletrônico dará respostas a requerimentos, por exemplo, sobre mudança de IPTU, e oferecerá outros serviços públicos, como consertar um buraco depois que ele for denunciado online e receber sugestões — diz Gabeira.
A idéia de Gabeira é boa, principalmente para os internautas cariocas que poderão, desta forma, participar do e fiscalizar o governo municipal com suas sugestões em benefício da cidade, que está sendo, de maravilhosa, só nas belezas naturais.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

sábado, 3 de maio de 2008

CONTROLE DE GASTOS



Na semana que terminou, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está
realizando um treinamento para técnicos de todos os tribunais
regionais eleitorais em torno da análise de dados. A medida visa
fechar ainda mais o cerco, já este ano, às contas de campanha dos
candidatos a prefeito e vereador e para evitar a prática do caixa
dois. Com isso, além de intensificar o cruzamento de dados com a
Receita Federal, o Tribunal está negociando com o Banco Central o
acesso aos extratos eletrônicos da movimentação financeira dos
candidatos.
Trata-se de mais uma, entre tantas ações da Justiça Eleitoral para
garantir a paridade do voto. Até hoje - menos, é fato, do que em
outros tempos -, a compra de votos é uma rotina e como o controle
é precário, muitos políticos obtiveram seus mandatos sem um
compromisso formal com os eleitores. Falaram por cabos eleitorais
que, em vez do tradicional proselitismo, compraram o voto, gerando
uma relação superficial, na qual um fingia que estava votando
ideologicamente e outro, que estava sendo eleito para falar pelos
seus representados.
A iniciativa é positiva, mas não basta o poder de coerção da Justiça
Eleitoral para acabar com essa prática. O financiamento público de
campanha, que chegou a ser tema prioritário na esperada reforma
política, acabou caindo para o segundo plano, mas é vital que se faça
uma discussão séria e profunda sobre a sua viabilidade antes que
seja enterrado, como ora parece. Se todos os candidatos tivessem
recursos iguais para irem aos palanques, é bem provável que
haveria, no mínimo, justiça na hora da escolha. Muitos ficam pelo
caminho pela absoluta falta de meios; outros vão até o fim e
chegam a ser eleitos pelo simples fato de terem suporte para
garantir suas campanhas.
A dificuldade, no entanto, está no próprio Congresso, que insiste em
adiar a reforma política. Começam e terminam legislaturas sem que
a matéria entre na ordem do dia. Os projetos continuam tramitando
nos órgãos técnicos e nas comissões especiais, mas até hoje não
houve espaço para uma avaliação do plenário capaz de mudar as
atuais regras - muitas delas vencidas pela própria dinâmica do
tempo.
Enquanto isso não acontece, o Tribunal Superior Eleitoral vai agindo.
E não vale o choro dos parlamentares, que se queixam
sistematicamente do que consideram ingerência do Poder Judiciário
nas demandas do Legislativo. Isso ocorrerá sempre enquanto
deputados e senadores não fizerem o dever de casa, ou seja, façam
eles próprios a lei que o país tanto pede.
Editou: M. J. Ranieri, jornalista

sexta-feira, 2 de maio de 2008

REPASSES E REPERCUSSÕES


O Governo fez questão de anunciar o aumento em 10% do preço dos combustíveis, mas garantiu que esses valores não chegariam ao consumidor, uma vez que seria retido nas refinarias. Vale mais como discurso do que como fato, uma vez que, antes mesmo de a medida entrar em vigor, já há um ciclo de reajustes preventivos em curso. A gasolina não sobe, mas ao admitir que o diesel será majorado, ele deu a senha para o mercado tomar suas precauções. O óleo, usado pela indústria e pelos transportes, principalmente, vai afetar planilhas que serão compensadas com repasses no frete, que terá reflexos nos produtos e que, por sua vez, vão cair no colo do consumidor.


A mesma leitura serve para os transportes. As empresas de ônibus, sejam as linhas estaduais, federais ou municipais, já anunciaram que não têm como segurar a conta sem repassar o custo para as tarifas. O efeito cascata é uma máxima da economia de mercado que, a despeito das observações da área econômica, reflete no dia-a-dia da população. Na verdade, desde o início do ano, já se percebe um aumento acima das expectativas, agravado pelas notícias em torno dos custos e da escassez de alimentos no mercado mundial. Quem faz as compras sabe disso.


O Brasil é um oásis nesse quadro que se cria, em razão de seu poder produtivo. Hoje, ainda há uma margem de 30% da produção que podem ser exportados, pois está acima do consumo interno. Mas até quando? Ao anunciar que a Petrobras também tem que ajustar suas tabelas, já que o preço dos combustíveis está congelado há algum tempo, o Governo não mede as conseqüências - o que é improvável - mas deve ter em conta que os resultados são preocupantes para quem está na ponta do consumo.


Em tempos de eleição, por exemplo, os prefeitos, sobretudo, terão uma batata quente nas mãos, pois as empresas de ônibus não terão meios de ficar sem ajuste nas suas tarifas, enquanto os políticos sabem, e bem, do que pode ocorrer no relacionamento com o eleitor se ajustarem as tarifas. Brasília com a palavra.


Editou: M. J. Ranieri, jornalista

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Só o tempo dirá



Vamos ter novidades na Web se o TRE do Rio permitir a propaganda eleitoral via rede. É o que informa o site do deputado Fernando Gabeira. O juiz Luiz Márcio Pereira, que coordena a repressão às irregularidades na grande rede, anunciou, em reunião com representantes dos partidos, que o órgão decidiu submeter a seu plenário um pedido para reexaminar os limites da liberdade de expressão na web - que até o momento estão terminantemente proibidas.
- A internet é um meio de propaganda barata e limpa - alegou Eurico Toledo, advogado do Partido Verde, o mesmo pelo qual Gabeira vai concorrer à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. A proposta de Eurico sugere a criação de uma portaria para regulamentar a propaganda na grande rede. No entanto, já se sabe que comprar espaço em sites privados, emitir spam e fazer campanha contra candidatos em sites de relacionamento continuará proibido. Blogs e comunidades de relacionamentos já estariam liberados.
Para o juiz Luiz Márcio, se a sugestão for aprovada, a propaganda ficará mais democrática, preservando, principalmente, a igualdade entre os concorrentes. "A internet é um veículo acessado por cada vez mais pessoas. É uma proposta interessante, que só tem a colaborar, porque a fiscalizar a web é muito difícil" - admitiu. "A proposta tem grandes chances de passar no plenário. O presidente Roberto Wider gostou das idéias" - adiantou o juiz.
Para nós, que usamos a rede, será uma oportunidade a mais para conhecer os candidatos. Se será uma boa, só o tempo dirá.

Editou: M. J. Ranieri, jornalista