quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O deputado da meia



Foi preciso a Justiça fazer o que era competência da Câmara Distrital de Brasília ante a série de escândalos que marcou a Casa no final do ano passado. Por provocação de um cidadão comum, o deputado Leonardo Prudente foi afastado da presidência. Ele foi flagrado em vídeo escondendo dinheiro na meia, mas teve a coragem de voltar ao posto como se nada tivesse acontecido.

Ontem ele confirmou que vai cumprir a decisão, mas recorrerá a uma instância superior. Trata-se de um direito, mas espera-se que o tribunal mantenha a sentença da primeira instância por tratar-se de uma medida profilática.

É necessário, porém, que a Justiça amplie suas decisões e afaste da comissão de inquérito que foi instalada os parlamentares envolvidos no mesmo escândalo, pois só assim será possível esperar que as investigações cheguem a bom termo. Caso contrário, são grandes as possibilidades de arquivamento do caso, a despeito das imagens que percorreram o país mostrando o tráfego de influência mediante o pagamento de propina. Nem o governador escapou.

O caso do Distrito Federal não foi o único a marcar a cena política, e repercute por ser o último da série, mas é necessário que o Judiciário acompanhe o ritmo da primeira instância e dê prosseguimento aos processos que deveriam estar em curso e até mesmo concluídos. Caso contrário, a sensação de impunidade vai prevalecer, permitindo que novos ilícitos ocorram em função de os envolvidos entenderem que jamais serão punidos. Até agora, notórios infratores seguem suas vidas como se nada tivesse ocorrido.

Um comentário:

Airton Leitão disse...

Pior que a presença do deputado (im)Prudente na presidência da Câmara Distrital, é deputados que foram flagrados recebendo propina estarem na CPI que vai investigar a eles próprios.
Ainda bem que há pedido na Justiça para que esses sejam substituídos pelos respectivos suplentes.
De Gaule estava certo: "O Brasil não é um país sério".