
O mapeamento das encostas deve ser uma das prioridades das autoridades, uma vez que a falta de informações e de políticas de combate a tais ocupações teem gerado um perigoso passivo nas cidades. Os desabamentos que estão sendo pauta do noticiário desde a virada do ano são resultado, em boa parte, de ocupação que deveria ter sido analisada com mais critério, sobretudo na fase de licenciamento. Os governantes fazem vista grossa para estas construções porque representam um aumento na arrecadação do IPTU. Na realidade o que deveria ser primordial era a segurança. Os episódios de Angra dos Reis e da Ilha Grande são resultado de uma desordenada ocupação, no caso deles, patrocinada pelo andar de cima, que agora leva o governador Sérgio Cabral a mudar o discurso e apontar para a necessidade de uma desmobilização em série de residências comuns e até de mansões. Mas só uma tragédia de grande repercussão o levou a adotar novas ações. Até medidas que podem ser consideradas antipáticas devem ser executadas, pois são em defesa do próprio cidadão. Desta forma, quando se impede a construção em áreas críticas ou se efetua a remoção, o Estado está cumprindo o seu papel de proteger vidas, embora deva, também, providenciar outros espaços para a ocupação. Somente projetos preventivos serão capazes de reverter a rotina de janeiro, quando ocorrem as chuvas mais intensas, trazendo consigo riscos às vidas e ao patrimônio.

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